1 ano de transição
Faço um ano de transição. Estou desidratada de tanto chorar. É um misto de sentimentos que não consigo descrever, peso as coisas que ganhei, a liberdade que conquistei, o olhar no espelho e falar "agora sou eu", sentir o corpo feminino, poder me tocar, o poder de vestir as roupas que sempre cobiçava, o poder andar de salto e muitos sentimentos que saboreio, pode parecer coisas insignificantes para muitas pessoas, cada coisa é experimentada com uma vontade guardada a anos. Achei que nunca sentiria o que sinto hoje, eram coisas que vivia somente nos sonhos ou nos pensamentos mais furtivos. Hoje também penso no que perdi, não tenho condições de descrever.
Passei o dia escutando Legião, a música "Dois" perdi a conta, poderia passar horas escrevendo, nunca seria tão perfeito o que sinto quanto essa música. A música tem esses dom. (abaixo parte da música)
Também revi muitas fotos, chorei muito. Pensei muito sobre mim, ainda paira uma dor. Fiz montagens de antes e depois.
Falei na postagem anterior mais ou menos como aconteceu o momento de assumir, falei da depressão, falei sobre suicídio. A depre é como um fantasma, sempre assombra quando não se espera.
Vi uma reportagem de pessoas trans, a trans feminina falou que quando pequena era muito feminina e tinha taxa de hormônios femininos muito altos, hoje ela é uma mulher linda, não há qualquer traço de masculinidade. Eu já não tive essa sorte, além do medo de me expor, tive de esconder qualquer vontade que tinha; cada trans tem uma história particular, podem se parecer sempre que temos o mesmo motivo, mas cada uma tem uma história diferente.
Nesse um ano de transição, muita coisa aconteceu, foi um começo difícil, muito difícil, como falei antes, atualmente é mais tranquilo em muitos aspectos, tenho muito mais liberdade com meu corpo, o vejo mudar, me sinto cada dia mais feminina, vejo as minhas unhas grandes. Então, há coisas que não tem preço, mas cada dia de manhã é uma batalha que tenho de travar, tomo a decisão de ser feliz, não posso me deixar abater, peço por não sofrer transfobia, então de manhã é a batalha do meu buda com meus medos. De manhã é a parte mais difícil do dia. Ainda não estou "curada" da depressão, muita coisa ainda me abala.
Mas por outro lado estou muito feliz, estou alcançando coisas que não imaginaria, fatos estão acontecendo de forma que não esperava, muitos amigos novos e antigos estão se aproximando, pessoas que não conheço torcem por mim, isto é fantástico.
Já mexem comigo na rua, também muita gente me olha torto, outros curiosos, muitos fazem cara de paisagem parecendo que ta tudo normal (e tá) mas não conseguem esconder.
Não tenho mais medo de falar as pessoas meu nome, o que sou, como me tratar.
Bom, preparei (depois de muito choro) alguns antes e depois, espero que curtam.
Bjsss
Passei o dia escutando Legião, a música "Dois" perdi a conta, poderia passar horas escrevendo, nunca seria tão perfeito o que sinto quanto essa música. A música tem esses dom. (abaixo parte da música)
Tenho andado distraído,Impaciente e indecisoE ainda estou confuso,Só que agora é diferente:Sou tão tranqüilo e tão contente. Quantas chances desperdicei,Quando o que eu mais queriaEra provar pra todo o mundoQue eu não precisavaProvar nada pra ninguém. Me fiz em mil pedaçosPra você juntarE queria sempre acharExplicação pro que eu sentia. Como um anjo caídoFiz questão de esquecerQue mentir pra si mesmoÉ sempre a pior mentira,Mas não sou maisTão criança a ponto de saber tudo. Já não me preocupo se eu não sei por que.Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vêE eu sei que você sabe, quase sem quererQue eu vejo o mesmo que você.
Também revi muitas fotos, chorei muito. Pensei muito sobre mim, ainda paira uma dor. Fiz montagens de antes e depois.
Falei na postagem anterior mais ou menos como aconteceu o momento de assumir, falei da depressão, falei sobre suicídio. A depre é como um fantasma, sempre assombra quando não se espera.
Vi uma reportagem de pessoas trans, a trans feminina falou que quando pequena era muito feminina e tinha taxa de hormônios femininos muito altos, hoje ela é uma mulher linda, não há qualquer traço de masculinidade. Eu já não tive essa sorte, além do medo de me expor, tive de esconder qualquer vontade que tinha; cada trans tem uma história particular, podem se parecer sempre que temos o mesmo motivo, mas cada uma tem uma história diferente.
Nesse um ano de transição, muita coisa aconteceu, foi um começo difícil, muito difícil, como falei antes, atualmente é mais tranquilo em muitos aspectos, tenho muito mais liberdade com meu corpo, o vejo mudar, me sinto cada dia mais feminina, vejo as minhas unhas grandes. Então, há coisas que não tem preço, mas cada dia de manhã é uma batalha que tenho de travar, tomo a decisão de ser feliz, não posso me deixar abater, peço por não sofrer transfobia, então de manhã é a batalha do meu buda com meus medos. De manhã é a parte mais difícil do dia. Ainda não estou "curada" da depressão, muita coisa ainda me abala.
Mas por outro lado estou muito feliz, estou alcançando coisas que não imaginaria, fatos estão acontecendo de forma que não esperava, muitos amigos novos e antigos estão se aproximando, pessoas que não conheço torcem por mim, isto é fantástico.
Já mexem comigo na rua, também muita gente me olha torto, outros curiosos, muitos fazem cara de paisagem parecendo que ta tudo normal (e tá) mas não conseguem esconder.
Não tenho mais medo de falar as pessoas meu nome, o que sou, como me tratar.
Bom, preparei (depois de muito choro) alguns antes e depois, espero que curtam.
Bjsss


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