Lembrança quebrada
Nesse processo de transição, é como se você tivesse sua frágil vida nas mãos e que por um instante a quase deixasse cair, tudo é muito aflorado, você passou maior parte da sua vida como uma outra pessoa, vendo as coisas pela fresta da janela. É claro que por mais que não tenha sido sua vida (declaro assim porque na minha frágil mente quem cuidava de mim era um personagem, enquanto eu vivia escondida), as memórias da vida DELE lhe pertencem, coisas, cheiros, sentimentos.
Eu resolvi que algumas coisas não me pertenciam mais, é como se desapegar de coisas que eram de um parente falecido; comecei então a arrumar um espaço na minha casa onde destinaria novamente ao meu escritório. Tirando cada coisa do lugar que já estavam anos ali, como artefatos esquecidos; cada objeto que pegava era uma memória que vinha, boa, ruim, triste, alegre, ou tudo junto, mas um me causou tremenda dor e culpa.
Para poder entender que objeto era esse, devo antes compartilhar uma história. Minha mãe ganhou de uma pessoa muito amiga, que durante muitos conviveu conosco, ela era nativa da Ilhabela, caiçara, pessoa a qual temos grande carinho. Ela deu a minha mãe um concha (vide foto) que é feita por uma espécie de polvo, concha linda, minha mãe tinha grande cuidado por este presente, mal podíamos ver. Eu sempre a desejei, pois desde criança adorava colecionar conchas, aquilo era um troféu pra mim. Após o falecimento de minha mãe, era meu tesouro, minha relíquia, a ligação física para a minha mãe, por ai tem a importância deste objeto. Quando estava na fase das coisas/ ações escondidas, no tempo que me vestia escondido, um tempo onde minha alma tinha liberdade por algumas horas. Esses períodos eram como cometer algo impróprio, escondido, carregado de culpa; neste período específico minha esposa já sabia de algumas coisas, mas mesmo assim era como se a estivesse enganando, a traindo com outra mulher, que no caso era eu mesmo. Bom, num desses dias, onde tudo estava propício, ninguém em casa, êxtase a mil, coração na mão. Minhas coisas ficavam em uma caixa (caixa de Pandora, quem teve sabe) em cima do guarda-roupa, ao lado da caixinha que guardava o presente de minha mãe, a concha, junto de outras lembranças. Quando puxei a minha caixa veio junto a caixinha, quando a vi caindo, me joguei tentando pegá-la, em vão, vi a concha se espatifando no chão, junto com o meu coração. Me pareceu no dia, um castigo, o início de uma sina. Chorei em silêncio, via minha mãe decepcionada comigo. Fiquei meses sem cometer aquele "pecado". Lembrava da frase premonitiva de minha mãe "Ser mulher é difícil".
Então quando, na arrumação, peguei a caixinha com a concha quebrada, não foi fácil...
Ainda há guardo quebrada, como lembrança da minha vida quebrada, que estou colando e arrumando agora.
Bjinhos!!!!
Como a concha era
obs.: imagens vinculadas do google imagens, o link encontrasse na própria imagem
Eu resolvi que algumas coisas não me pertenciam mais, é como se desapegar de coisas que eram de um parente falecido; comecei então a arrumar um espaço na minha casa onde destinaria novamente ao meu escritório. Tirando cada coisa do lugar que já estavam anos ali, como artefatos esquecidos; cada objeto que pegava era uma memória que vinha, boa, ruim, triste, alegre, ou tudo junto, mas um me causou tremenda dor e culpa.
Para poder entender que objeto era esse, devo antes compartilhar uma história. Minha mãe ganhou de uma pessoa muito amiga, que durante muitos conviveu conosco, ela era nativa da Ilhabela, caiçara, pessoa a qual temos grande carinho. Ela deu a minha mãe um concha (vide foto) que é feita por uma espécie de polvo, concha linda, minha mãe tinha grande cuidado por este presente, mal podíamos ver. Eu sempre a desejei, pois desde criança adorava colecionar conchas, aquilo era um troféu pra mim. Após o falecimento de minha mãe, era meu tesouro, minha relíquia, a ligação física para a minha mãe, por ai tem a importância deste objeto. Quando estava na fase das coisas/ ações escondidas, no tempo que me vestia escondido, um tempo onde minha alma tinha liberdade por algumas horas. Esses períodos eram como cometer algo impróprio, escondido, carregado de culpa; neste período específico minha esposa já sabia de algumas coisas, mas mesmo assim era como se a estivesse enganando, a traindo com outra mulher, que no caso era eu mesmo. Bom, num desses dias, onde tudo estava propício, ninguém em casa, êxtase a mil, coração na mão. Minhas coisas ficavam em uma caixa (caixa de Pandora, quem teve sabe) em cima do guarda-roupa, ao lado da caixinha que guardava o presente de minha mãe, a concha, junto de outras lembranças. Quando puxei a minha caixa veio junto a caixinha, quando a vi caindo, me joguei tentando pegá-la, em vão, vi a concha se espatifando no chão, junto com o meu coração. Me pareceu no dia, um castigo, o início de uma sina. Chorei em silêncio, via minha mãe decepcionada comigo. Fiquei meses sem cometer aquele "pecado". Lembrava da frase premonitiva de minha mãe "Ser mulher é difícil".
Então quando, na arrumação, peguei a caixinha com a concha quebrada, não foi fácil...
Ainda há guardo quebrada, como lembrança da minha vida quebrada, que estou colando e arrumando agora.
Bjinhos!!!!
Como a concha era
obs.: imagens vinculadas do google imagens, o link encontrasse na própria imagem


Comentários
Postar um comentário